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O PINCEL

Imaginemos um pincel capaz de ver, pensar, querer e sentir — como o ser humano — e posto na mão de um grande pintor. Vendo surgir pouco a pouco na tela sua obra-prima, ele certamente ficaria alegre por sentir-se um instrumento indispensável para a sua realização.

Pe. Francisco Teixera Araujo, EP

Pois bem, em relação a Deus, todos nós somos como que pincéis postos nas mãos do Divino Pintor, para a execução de sua obra nas almas. Não que sejamos instrumentos necessários — porque Ele pode fazer tudo sem auxílio de pessoa alguma — mas porque, em sua infinita Sabedoria, Ele deseja nossa cooperação.

Às vezes, Deus fala diretamente às almas, de forma irresistível, como a Saulo no caminho de Damasco.

Com frequência, porém Jesus limita-se a sussurrar no fundo dos corações: “Volte-se para Mim… Veja, a felicidade não está no prazer pecaminoso, mas na prática da virtude! Pense na eternidade… Recorra `minha Mãe. Ela virá em seu auxílio”.

Infelizmente, a imensa maioria dos homens é surda, ou quase tanto, a esses insistentes apelos da graça. Mas Nosso Senhor, assim rejeitado, não desiste. Ele quer pintar em todas as almas a mais excelsa obra-prima que possa existir: o seu próprio rosto divino.

É na execução dessa sublime pintura que entra nosso papel de “pincel de Deus”. A todo momento, Ele solicita a colaboração de cada um de nós para sua grandiosa obra de santificação das almas.

Como podemos responder SIM a esse pedido?

De um modo muito simples, na rotina da vida diária.

Em primeiro lugar, rezando, pois nada se faz sem a graça,em matéria de apostolado. Muito importante também é dar o bom exemplo, um dos mais eficazes convites à conversão; dizer, na ocasião certa, uma palavra de estímulo ou de consolo; dar um conselho oportuno; recomendar a leitura de um bom livro ou uma boa revista; convidar para a Missa, ou a recitação do Rosário. Enfim, até mesmo por simples olhar podemos ser instrumentos úteis e conduzir a Deus, por meio de Nossa Senhora, nossos irmão na Fé.

p style=”text-align: justify”>Se nos dispusermos a ser pincéis dóceis nas mãos do Divino Pintor, experimentaremos uma das maiores recompensas que se pode ter nesta terra: a alegria de ver a ação da graça purificando e transformando as almas daqueles que são objeto do nosso apostolado. E infinitamente maior será a recompensa que receberemos no Céu, por toda eternidade!

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(Transcrito do artigo “Pincel de Deus”, de autoria do Pe. Francisco Teixeira de Araújo, EP, na revista “Arautos do Evangelho”, nº 27, de março de 2004, p.41)