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Doença incurável?

Costumamos aplicar a parábola do filho pródigo a pessoas e muito raramente à própria História. Haveria um paralelo entre o filho pródigo do Evangelho e a atual situação trágica da humanidade?

A liberdade e a razão são os dons mais preciosos recebidos do Pai.

E certo momento o homem resolveu utilizar esses dons separados de Deus, por assim dizer, fora da casa paterna. Num processo multissecular, primeiro rejeitou a autoridade da Igreja, em seguida a divindade de Cristo e, por fim, negou a própria existência de Deus.

Construiu um poderoso império: progrediu nas artes, nas letras, nas ciências, nas leis, nas comunicações… Parecia ter chegado a uma era de esperança, de alegria e de paz!

Entretanto…

As doenças parecem ter progredido mais que a medicina; no mundo financeiro um bilionário pode, em questão de minutos, transformar-se em mendigo; os bandidos andam soltos pelas ruas, enquanto o honesto fica atrás de grades em sua casa; a impiedade dita as leis; os homens nunca se comunicaram com tanta facilidade, mas filhos e pais, vivendo sob o mesmo teto, quase não conversam mais… A tecnologia tornou-se capaz de destruir a Terra incontáveis vezes.

Como o filho pródigo, a humanidade parece ter perdido a luz da razão ao julgar-se capaz de usá-la sem Deus. Dilapidou toda a “fortuna” de sua inteligência e liberdade. Não estaria agora a humanidade reduzida a alimentar-se das “bolotas dos porcos”?

Haverá alguma esperança?

O futuro nos reservará algo melhor? A bondade de Deus não nos autoriza a esperar um imenso perdão?

Em Fátima, a Virgem Maria predisse a atual situação, mas anunciou a vinda de um reino de paz e harmonia entre os homens e o Criador: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!”.

“A ovelha perdida”
Obereschach (Alemanha)
Foto: Andreas Praefcke

O Pai aguarda apenas o pedido de perdão e a emenda dos homens para dar-lhes o vestido precioso da razão que se inclina à Fé, e o anel, símbolo da liberdade verdadeira que se sujeita à vontade de Deus.

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[O leitor desejoso de aprofundar o tema, pode ler o artigo do Mons. João Clá, EP, “Entre o perdão e a perseverança, Deus prefere o quê?”, publicado na edição deste mês (setembro de 2013) na Revista Arautos do Evangelho. Também pode acessar em http://www.revistacatolica.com.br/ ]

One Response to Doença incurável?

  1. CARLOS ALBERTO VIEGAS DE ARAUJO says:

    Texto magnífico é este do Monsenhor João Clá Dias, fundador dos Arautos do Evangelho. É facílimo constatar que, a exemplo do filho pródigo, a humanidade afastou-se de seu Criador, vivendo na prática como se Deus não existisse. Como consequência, ficou doente e em todos os seus quadrantes, está mergulhada no caos total: moral, religioso, político, econômico, social etc. Ora, Deus é a Paciência e a Misericórdia e nunca se cansa de esperar e perdoar aos seus filhos arrependidos e humilhados. Respeita, entretanto, nossa liberdade enquanto estivermos em prova neste mundo passageiro. Ele espera também, pacientemente, o momento exato para conceder à humanidade graça incomensurável: uma ação de seu Espírito, que fará com todos vejam com clareza o estado deplorável em que se encontram e tenham a oportunidade de se converterem e de se salvarem. Entretanto, Deus também é a Justiça. Devemos ter a consciência de que nossa morte é de data incerta e que seremos julgados por um Juiz justo e implacável. “Com Deus não se brinca: cada um colherá aquilo que tiver semeado”(Gal 6,7). Portanto, não sejamos loucos colocando em risco nossa salvação eterna.